BEM
PARANÁ
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Cidades
CURITIBA, QUARTA-FEIRA, 9 DE NOVEMBRO DE 2016
Mulheres negras desfilam
suas raízes e o cabelo crespo
No próximo sábado, acontece em Curitiba a 1ª Marcha do Orgulho Crespo e contra o preconceito
Rodolfo Luis Kowalski
Por onde elas passam cha-
mam atenção, atraem olhares
(e até provocamum certo cho-
que em algumas pessoas).
Neste final de semana, “des-
filarão” o orgulho que sentem
de suas raízes, a despeito do
que a moda, a estética vigen-
te ou mesmo a própria socie-
dade tente impor. Elas são as
mulheres de cabelo crespo,
que agitarão Curitiba com a
primeira Marcha do Orgulho
Crespo, que espera reunir en-
tre 500 e 1.000 pessoas no sá-
bado.
O evento terá início às 14
horas, com concentração na
Praça Santos Andrade, e trará
uma série de atividades cul-
turais, com apresentações
musicais e até aula de dança
(de Charme, estilo baile black
dos anos 1970). A marcha é
inspirada na 1ª Marcha do
Orgulho Crespo, que aconte-
ceu em julho de 2015 em São
Paulo, e tem como intuito reu-
nir crespas e cacheadas e for-
talecer o protagonismo das
mulheres negras.
De acordo com a ativista e
cantora Michele Mara, uma
das organizadoras da marcha
na Capital, a ideia de promo-
ver o evento surgiu justamen-
te após um episódio em que
ela foi vítima de preconceito e
racismo em uma loja de rou-
pas da Rua XV por conta de
seu cabelo crespo.
“Tive a ideia de fazer a
marcha porque sofri racismo
de novo (antes já havia sido
vítima em um hipermercado
de Curitiba). Estava com uma
amiga que é branca e ela foi
experimentar alguns turban-
tes. Daí ela viu um que gos-
tou e falou que era minha
cara, disse para eu experi-
mentar. Quando fui colocar, a
dona da loja começou a gritar,
falou que eu ia estragar e dis-
se que minha amiga podia
vestir, mas eu, não. Aí decidi
fazer a marcha do orgulho
crespo por aqui”, relata.
Para os planos se concre-
tizarem, uma colega de Mi-
chele, Cássia Melissa, entrou
em contato com as criadoras
da marcha paulistana, Neo-
misia Silvestre (Hot Pente) e
Nanda Cury (Blog das Cabe-
ludas). Desde sua primeira
edição, inclusive, o movimen-
to se espalhou por todo o país,
sendo que emnovembro, mês
da consciência negra, uma
série de cidades do Brasil tam-
bém promovem a marcha,
como o Rio de Janeiro e Porto
Alegre.
“Ainda existe muita resis-
tência (ao cabelo crespo) por-
que a sociedade diz que cabe-
lo liso é mais bonito, nas esco-
las são recorrentes os comen-
tários ofensivos”, afirma. “É o
processo de tornar-se negra.
Nos olhamos no espelho com
cabelo liso e não conseguimos
nos identificar porque não nos
vemos na televisão, em filmes,
não nos vemos representadas.
Então o olhar para si mesma é
difícil. Mas a partir domomen-
to que consegue fazer isso,
você renasce, vira uma nova
pessoa, se sente orgulhosa de
ter esse cabelo, de ser quem
você é”, finaliza.
No Novembro da Consciência Negra, ativistas preparam evento para valorizar o multiculturalismo brasileiro: crespo é bonito
Domingo é dia
de Parada Gay
LGBT
No domingo, a Aveni-
da Cândido de Abreu, no
CentroCívico, recebe nova-
mente a Parada da Diver-
sidade LGBT. A parada
deste ano tem concentra-
ção a partir das 11 horas na
Praça 19 deDezembro, com
saída do desfile previsto
para as 14 horas, descen-
do a Avenida Cândido de
Abreu em direção à Praça
Nossa Senhora de Salete,
em frente ao Palácio Igua-
çu, onde devem acontecer
shows até as 20 horas.
Aparada é uma promo-
ção da Associação Parana-
ense da Parada da Diversi-
dade (Appad). Já são 16
anos com a parada em Cu-
ritiba, que neste ano tem o
tema “E por falar em juven-
tude”. A parada será acom-
panhada por dois trios elé-
tricos. A página do evento
no Facebook já tinha mais
de 6 mil confirmações de
presença até ontem.
RÁPIDA
Evento
Nos dias 24 e 25 de
novembro, a PUCPR
promove o evento Dia
da Consciência dos
Sujeitos Negros e
Negras: Tributo à
Mulher Negra. O
encontro trará
importantes
reflexões sobre
identidade, inclusão
e igualdade, com
palestras, debates e
diversas
apresentações
culturais abertas ao
público.
Fotos: Geraldo Bubniak